ANJEF

Associação Nacional de Jornalistas e Escritores Filatélicos

HISTÓRIA POSTAL DE ANGOLA (12)

“Por avião”

Elder Correia

(artigo publicado  no nº 2 da "Convenção Filatélica" - Março de 2002)

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I – Introdução

Estamos em 1936, e frequentemente a imprensa angolana, fazendo eco das lamentações dos comerciantes procurava chamar a atenção dos governantes para o deficiente e moroso serviço postal entre Portugal e a Colónia de Angola. Praticamente estavam reduzidos a duas malas regulares mensais que eram conduzidas pelos vapores que faziam também a carreira de Moçambique porque os outros vapores tinham uma periodicidade irregular tocando vários portos de escala pela costa africana. Reclamava-se insistentemente pelos elevados prejuízos que acarretava para a economia empresarial o deficiente serviço postal prestado pelos Correios.

O estado de insatisfação era latente porquanto a vizinha província de Moçambique já desde 1934 tinha ligações aéreas regulares com Portugal e a Europa em conexão com a Imperial British Airways.

Porém, há algum tempo os serviços dos Correios de Angola vinham trabalhando no sentido de encontrar uma saída para a inexistência de um serviço postal por via aérea. A solução mais cómoda e económica passava pela negociação com a SABENA para que os seus aviões pudessem fazer uma ligação quinzenal Leopoldville-Luanda. Mas perante o parecer negativo do Conselho Nacional do Ar, o Governo Central, em Lisboa, recusou esta solução, não tanto por questões técnicas mas sim por razões políticas. A Colónia de Angola contrariamente à de Moçambique não tinha aviação civil, e aceitar a entrada da companhia de aviação belga em Angola sem que em contrapartida uma hipotética homóloga de Angola o fizesse em relação ao Congo Belga era perante a comunidade internacional sinónimo de incapacidade de Portugal  poder desenvolver economicamente os seus territórios ultramarinos.

Entretanto, desde finais de 1935 que já existiam contactos com os Correios de Moçambique tendentes a colher informação acerca de processos administrativos e documentação relacionados com o correio aéreo, pois aqueles já detinham grande experiência no novo serviço postal.

Em Janeiro de 1936 em plena preparação da 1ª. Conferência Económica do Império Colonial Português, com início marcado para 8 de Junho de 1936 em Lisboa, o presidente da Delegação de Angola àquela Conferência, Coronel António Brandão de Melo, oficiou o Director dos Correios de Angola, no sentido de ser informado acerca da situação em que se encontrava o processo de implementação do “Correio Aéreo” na Colónia, pois era sua intenção apresentar para debate como tema prioritário o problema das comunicações quer internas como externas em Angola, com o pormenor de também ser tratada e até talvez delineada, a autorização para o início de negociações sobre o transporte de correio aéreo dentro de Angola e também desta para o exterior.

Fig. 1 – Sobrescrito remetido registado de Luanda (24.06.936) para Lisboa (05.07.938) com trânsito por Leopoldville (28.06.936). Pagou de sobretaxa de correio aéreo 0,58 francos-ouro correspondente ao peso até 5 gramas (1º porte para a Europa) e 3,75 angolares de porte de correio ordinário mais prémio de registo.

Fig. 2 – Carta datada de 24 de Junho de 1936 circulada no interior do sobrescrito da Fig. 1.

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