ANJEF

Associação Nacional de Jornalistas e Escritores Filatélicos

JORGE ANDRADE DA SILVA BRANCO  

NOTAS FILATÉLICO - BIOGRÁFICAS

 

Tinha 8 anos de idade quando descobri a filatelia, por intermédio dum colega da escola que um dia levou para nos mostrar alguns selos usados, declarando que estava a coleccioná-los. O “fogo” pegou-se rapidamente a muitos de nós, tendo eu recebido, logo de inicio grande ajuda de meu pai, que, como oficial da marinha mercante, tinha a possibilidade de arranjar muitos selos nos portos da Europa e da África, ao sabor das carreiras do navio em que trabalhava.

Mas, durante muitos anos, não passei, como aliás é correntio, de mero ajuntador de selos, sem qualquer orientação, até que, de 1957 para 1959, numa estadia em Luanda, por motivos profissionais, pude aproveitar os tempos livres para organizar capazmente a colecção, com a aquisição de alguns álbuns e catálogos, o contacto com outros filatelistas locais e, sobretudo, o estabelecimento duma rede de correspondentes em todo o mundo, para trocas - pois que então ainda vivia na doce ilusão de poder ser coleccionador universal.

Só alguns anos mais tarde, já em Lisboa, é que compreendi quão absurda era a minha posição, restringindo então a colecção a Portugal e Colónias e mais cinco países (Islândia, Finlândia, Alemanha, Israel e Japão), aqueles de que os acasos da correspondência de trocas tinham possibilitado possuir mais selos.

Paralelamente, todavia, decidi também iniciar uma colecção temática, de caminhos de ferro, em consonância agora com a minha muito velha paixão pelos comboios. Este facto foi decisivo para a profunda alteração das minhas ideias sobre coleccionismo, revisão que teve como consequência passar a conceder prioridade absoluta ao tema, em detrimento da espécie das peças coleccionadas. Foi assim que optei por continuar a coleccionar segundo o tema dos caminhos de ferro, mas alargando a colecção a tudo quanto a eles se refira, desde os selos aos postais, dos carimbos aos bilhetes, das medalhas aos horários, da literatura à iconografia, etc. e etc.

Ciente de que voltei a cair numa ilusão análoga à da colecção universal de selos, justifiquei-­me a mim próprio, declarando que de modo nenhum tenho a pretensão de alguma vez completar a colecção. Muito pelo contrário, prefiro tê-la sempre aberta, que será a melhor maneira de não estagnar. Como disse Fernando Pessoa: ... o que basta, acaba onde basta /  e onda acaba, não basta.

Entrei para a AFA em 1986, quando vim residir para Estremoz, e sou actualmente tesoureiro da Direcção.

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