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Associação Nacional de Jornalistas e Escritores Filatélicos

A DISTRIBUIÇÃO DO CORREIO

Francisco Matoso Galveias

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A distribuição do correio - I

(artigo publicado  no nº 950 (II Série) do "Diário do Alentejo" - 7 de Julho de 2000)

A distribuição de correio nem sempre foi tão pacífica como actualmente a conhecemos. Quando recebemos uma carta não sabemos as voltas que o correio deu. O colar de um selo numa carta, o colocá-la num marco de correio e o ter a certeza que dias depois ela chega ao destinatário é fruto de muitos anos.

As cartas sempre existiram, mas o pagamento do porte era pago pelo destinatário.

ESTREMÔZ   11.11.1851  g    ESTREMÔZ ?

Carta de JOAQUIM IGNAZIO BARBOSA, de Vimieiro, para o PREZIDENTE E MAIS SNRS DA CAMARA MUNICIPAL DA ILUSTRE, E SEMPRE LEAL VILLA D'ESTREMOZ. Marca nominal de partida ESTREMÔZ, em cercadura elíptica, dita ETZ8, batida a azul. Marca de porte 30 (réis), a pagar pelo destinatário, manuscrita a preto.

Posteriormente, com a invenção do selo – o primeiro selo foi criado em Inglaterra em 1840, o Penny Black (em Portugal o primeiro selo circulou a partir de 1 de Julho de 1853) – os portes de correio passaram a ser pagos pelo expedidor, embora ainda com um transporte muito demorado. 

 ESTREMÔZ   ?   LISBOA 27.10.53

Carta expedida de Estremoz para DON ANTONIO G. DE HORTA, de Lisboa. Porte de 25 réis, pago pelo remetente. Selo obliterado com o carimbo circular nº 159 de 20 barras, tendo 10 barras centrais interrompidas. Carimbo nominal ETZ8, batido a preto, a marcar a carta. No verso, a azul, marca elíptica datada de 27.10.53, dia da chegada a Lisboa.

A distribuição começou por ser feita em postos de correio pré-determinados e só muitos anos depois é que passou a ser feita porta-a-porta. A título de curiosidade, o nome das ruas e a numeração das portas foi uma consequência da distribuição domiciliária de correio.

Mala-Posta de Lisboa a Coimbra, 1798.  (Reconstituição a óleo por J. Pedro Roque, 1968)

Posta Rural, 1880. (Reconstituição a óleo por J. Pedro Roque, 1963)

O correio em Portugal é criado através de carta régia de 6 de Novembro de 1520, assinada em Évora por D. Manuel I, duque de Beja, nomeando o cavaleiro da sua casa Luís Homem para o cargo de correio-mor. Até esta data, o mesmo cavaleiro terá exercido, sem qualquer nomeação prévia, o cargo de correio privado do rei. Este cargo passou de mão em mão por compra, por herança ou por nomeação até quase aos nossos dias.

Carta de criação do ofício de correio-mor do reino em 1520. (Cópia do registo. Chancelaria de  D. Manuel I, livro 37 fl. 98).

Um outro marco importante na distribuição do correio foi a criação de malas-postas. Em 6 de Setembro de 1798 é criada a diligência entre Lisboa e Coimbra, com posterior prolongamento do Porto, que transportaria a mala de correio para o Norte.

Regulamento provisional de 1799 para o novo estabelecimento do correio.

Para Sul surgiu uma outra carreira que partia de Aldeia Galega (Montijo) até Elvas e daqui havia ligações para Vila Real de Santo António e Lagos com passagem por Évora, Beja, Almodôvar, Loulé e Faro.

Voltaremos ao assunto.

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