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ANJEF |
Associação Nacional de Jornalistas e Escritores Filatélicos |
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A IDENTIDADE CULTURAL ALENTEJANA |
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Hernâni Matos |
| (artigo publicado no catálogo das Exposições Filatélicas ESTREMOZ 2001 e FILAMOZ 2001) |
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A
quem não me conhece, permitam-me que me apresente. Sou o Hernâni,
natural de Estremoz, terra de barro, esse mesmo barro com que
Deus terá moldado o primeiro homem. Com
os pés bem assentes na sólida e vasta planície de Além-Tejo (fig.
1), sinto-me em absoluto sincronismo espiritual com a paisagem que um
Silva Porto, um D. Carlos de Bragança (fig. 2) ou um Dordio Gomes, tão
bem souberam cromaticamente fixar na tela. |
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De igual modo, um Conde de Monsaraz, uma Florbela Espanca ou um Manuel da Fonseca, registaram poeticamente em vibrantes estrofes, a matriz da nossa natureza ancestral. Também um Fialho de Almeida, um Manuel Ribeiro ou um Antunes da Silva magistralmente perpetuaram na prosa, o colorido policromático e multifacetado da nossa etnografia, a dureza da nossa labuta, a firmeza do nosso querer, o calor do nosso sentir, a razão das nossas revoltas ancestrais, os marcos das nossas lutas (fig. 3) e as mensagens implícitas nas nossas esperanças. Telas,
versos e prosa que são sinestesias que fazem vibrar os nossos cinco
sentidos. O
azul límpido do céu, o castanho da terra de barro, a cor de fogo do
Sol e o verde seco da copa dos sobreirais (fig. 4), constituem uma
paleta de cores, trespassada por uma claridade que quase nos cega e é
companheira inseparável do calor que nos esmaga o peito, queima as
entranhas e encortiça a boca. Sonoridades
do restolho seco que quebramos debaixo dos pés, sonoridades das searas
(fig. 3 e fig. 5) e dos montados (fig. 4), sonoridades dos rebanhos que
ao entardecer regressam aos redis (fig. 6), mas sonoridades também na
ausência de sons por não correr o mais leve sopro de aragem. |
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Odores das flores de esteva, de poejo e de ourégãos, mas também do barro húmido, do azeite com que temperamos divinamente a comida e do vinho espesso e aveludado, que mastigamos nos nossos rituais gastronómicos. |
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São
estas profundas marcas, gravadas atavicamente a fogo na alma alentejana,
que fazem com que eu seja, não por opção, mas por nascimento, um
homem do Sul e um alentejano dos barros de Estremoz. Sinto o Alentejo com emoção e a dimensão regional das minhas emoções tem a ver com a identidade cultural do povo alentejano, forjada e caldeada em condições adversas. Vejamos em rápidas pinceladas, o que é isso da identidade cultural do povo alentejano. |
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