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ANJEF |
Associação Nacional de Jornalistas e Escritores Filatélicos |
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A IDENTIDADE CULTURAL ALENTEJANA |
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Hernâni Matos |
| (artigo publicado no catálogo das Exposições Filatélicas ESTREMOZ 2001 e FILAMOZ 2001) |
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Em primeiro lugar a identidade cultural do povo alentejano tem a ver com a paisagem, que para Eduardo Teófilo em Alentejo não tem sombra é um: “Plaino imenso, extensão sem fim a perder-se, lá, onde a
vista mais não alcança, mar dourado ondulando de leve (fig.5 ), num
amarelo forte que se vai esbatendo pouco a pouco à medida que a extensão
se esquece e acaba. Céu azul, baço, abóbada afogueada por sobre a seara
madura, parecendo pousada mesmo sobre nós, Sol que não se pode olhar
que o reflexo do seu disco brilhante cega e dói.
Não há
uma sombra, não se vê viv'alma. O mundo parou, a vida parou, como que
hipnotizados pela salva resplandecente do Sol a pino, bem na
vertical”. Em segundo lugar a identidade cultural do povo alentejano tem a ver com
o carácter do povo
alentejano, sobre o qual nos diz Vítor
Santos no seu Cancioneiro
Alentejano: “Independentes, ousados, alegres embora de feições duras e
escurecidas pelo sol, eles mostram bem, pelo espírito decidido e olhar
sobranceiro e um tudo-nada desconfiado, que possúem a consciência da sua
força e do seu valôr”. Faz parte ainda do carácter do povo alentejano, o amor
desmesurado que nutre pela sua terra. Como nos diz Antunes da
Silva em Terra
do nosso pão:
“Isto
de Alentejanos é gente que puxa para uma banda só. Partir à aventura no
rasto da fortuna, caindo aqui, levantando-se além, não é caminho que se
abra às vozes da alma dos Alentejanos. Nem é o susto de outras
paisagens virgens para onde os mandam, mas o amor submerso que
têm ao seu chão e que de repente se ergue como uma força do sangue.
Teimosamente agarrados à plenitude dos escampados, ao valor das suas vilas
e aldeias, aprendem a ser livres com a natureza que lhes legaram seus
avós.” Em terceiro lugar a identidade cultural do povo alentejano tem a ver com
o trajo popular. Diz-nos Luís
Chaves em A
Arte Popular – Aspectos do Problema: “O traje surge-nos como produto natural do meio,
isto é, de quanto dentro e à volta do homem existe; e tudo que influi no
espírito e actua nele. Desde a escolha e adopção dos tecidos, até a côr e
a forma, desde a ornamentação ao arranjo das partes componentes, tudo aí
tem razão de ser como é, e tem de estar onde está”. O trajo alentejano
é rico e diversificado, quer
seja usado por homem (fig. 6)
ou mulher (fig. 7), estando em relação directa com a posição de cada um na
escala social e com as tarefas diárias desempenhadas.
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Em
quarto
lugar
a identidade cultural do povo alentejano tem a ver com a
gastronomia. O Alentejo é a região do
borrego e este é um recurso com elevada cotação na bolsa de valores
gastronómicos. Por isso, no âmbito da FIAPE – Feira Internacional
Agro-Pecuária de Estremoz, decorre a Semana Gastronómica do Borrego,
onde o borrego impera como rei e senhor. Então, os restaurantes locais
apresentam receitas a Concurso, todas confeccionadas a partir do borrego.
Eis algumas: sopa da panela,
ensopado de borrego, borrego guisado com ervilhas, mãozinhas de borrego
panadas, perna de borrego trufada, cozido de borrego com grão, feijão
verde e abóbora, mãozinhas de borrego com molho de tomate, borrego assado
à alentejana, sarrapatel de borrego, borrego de alfitete, miolos de
borrego, iscas de fígado de borrego, arroz de fressura, empadas de
borrego, tarte de requeijão, bolo de requeijão e queijadas. Qualquer destes pratos é definidor da nossa identidade
cultural. A gastronomia do borrego, essa é património culinário legado
pelos nossos ancestrais. É património para mastigar, para saborear e para
lamber os beiços, a comer e a chorar por mais, pois barriga vazia não
conhece alegrias... Por isso, apetece dizer: - Viva o património mastigável! - Viva!
- Avante com a defesa do património! - Avante! Em
quinto
lugar a identidade cultural do povo alentejano tem a ver com a
arte popular. Desde tempos imemoriais que o
pastor alentejano ocupa o tempo que lhe sobra da guarda do rebanho (fig.
6), em gravar desenhos sobre madeira, cortiça ou chifre. Resumidamente
referiremos: garfos, colheres (fig. 8), chavões, foicinheiras,
esfolhadores, formas de dobar linhas, cabaças, caixas de costura,
polvorinhos, cornas, etc. Naturalmente, que na arte popular e muito para
além da arte pastoril, há a incluir entre inúmeras outras formas de arte
popular, a barrística popular (fig. 9) e a olaria (fig. 10). |
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Diz-nos Virgílio
Correia na Etnografia
Artística:
"A
Província do Alentejo é a lareira onde arde mais vivo, mais claro e mais
alto, o fogo tradicional da arte popular portuguesa.” Já João
Falcato no Elucidário
do Alentejo diz-nos que: “Não
sabe uma letra o pastor destas terras, em erudição nunca ouviu falar, e é
poesia pura a linguagem da sua alma, e é poesia pura o que sai das suas
mãos. E além de tudo mais uma qualidade tem
a sua poesia. Não precisa dos livros para se imortalizar. Um raminho de
buxo, um nada de cortiça, e, da inspiração fugidia, ficou alguma coisa nas
nossas mãos. |
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MÚSICA: SAIAS DE CAMPO MAIOR Ficheiro midi de Fernando de Brito Vintém in MIDI PORTUGAL: |