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ANJEF |
Associação Nacional de Jornalistas e Escritores Filatélicos |
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A IDENTIDADE CULTURAL ALENTEJANA |
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Hernâni Matos |
| (artigo publicado no catálogo das Exposições Filatélicas ESTREMOZ 2001 e FILAMOZ 2001) |
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Assente-se
aqui, menina, À
sombra do meu chapéu, O
Alentejo não tem sombra, Senão
a que vem do céu. |
Pode
ser também o reflexo do grande isolamento em que vive o
pastor, que lhe permite
conhecer a natureza que o rodeia, muito em particular, o céu:
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As
árves que o mundo
tem Cubro-as
c’o meu chapéu. Diga-me
cá por cantigas Quantas
‘strelas há no céu? |
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Por vezes a poesia encerra uma profunda crítica social: |
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Sobe
o rei no alto trono, Desce
o pastor ao val’ fundo; Uns
p’ra baixo, outros p’ra cima Vai-se assim movendo o mundo." |
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Felizmente que através dos tempos tem havido estudiosos que têm procedido à recolha do rico Cancioneiro Popular. Registo entre outros os nomes de Tomás Pires, Luís Chaves, Azinhal Abelho, Manuel Joaquim Delgado, Vítor Santos, Fernando Lopes Graça, Michel Giacometti, a quem presto o tributo do meu reconhecimento por terem tido a clarividência da importância que constitui o registo escrito do Cancioneiro Popular, como forma de assegurar a perpetuidade do que tem de mais rico e genuíno a nossa memória colectiva. Em
sétimo
lugar, a identidade cultural do povo alentejano tem
a ver com o cante, que segundo a
tese litúrgica do padre António Marvão teve origem em
escolas de canto popular fundadas em Serpa, por monges
paulistas do Convento da Serra d’Ossa, os quais tinham formação
em canto polifónico.
No
Cancioneiro Alentejano
– recolha de Victor
Santos, diz Fernando
Lopes Graça: “O
alentejano canta com verdadeira paixão e todas as ocasiões
lhe são boas para dar largas ao seu lirismo ingénito. Não há
trabalho, folga, festa ou reunião de qualquer espécie, sem
um rosário infindo de cantigas.” Manuel
Ribeiro na Lembrança
dos Cantadores da Aldeia Nova de São Bento, Mértola,
Vidigueira e Vila Verde de Ficalho, diz-nos: “Só
no Alentejo há o culto popular do canto. Ali se criou o tipo
original do “cantador”. Pelas esquinas, altas horas, embuçados
nas fartas mantas, agrupam-se os homens: esmorece a conversa,
faz-se silencio e de subito, expontâneamente, rompe um coral.
É o diálogo em que eles melhor se entendem, é a conversa em
que todos estão de acôrdo. Quem
não viu em Beja, em certas ruas lôbregas, em certos recantos
que escondem ainda os antros esfumados das adegas pejadas de
negras e ciclopicas talhas mouriscas, quem não viu duas
bancadas que se defrontam e donde se eleva um canto entoado,
solene e soturno, com o quer que seja da salmodia dum côro de
monges?” Embora possa cantar só, o alentejano canta sobretudo em coros e esse canto é sério, dolente, compenetrado e mesmo solene, porque o alentejano é lento, comedido e contemplativo, por força do Sol escaldante. O
coro une os alentejanos. Como diz Eduardo
Teófilo em Alentejo
não tem sombra: “Há,
no entanto, a ligá-los a todos, algo de próprio, de
indefinidamente próprio e que os torna reconhecíveis em
qualquer lugar em que se encontrem.(...). Todos
eles estão marcados a fogo, pelo fogo daquele Sol
ardente que, mesmo quando mal brilha, entra nas almas e molda
os caracteres, todos eles apresentam o seu rosto cortado por
navalhadas de vida e tostados pelas ardências do Sol de Verão,
como se vivessem todos, realmente, sem uma sombra a que se
abrigar.”
Sobre o cante diz-nos ainda Antunes
da Silva em Terra
do nosso pão: “As
cotovias cantam para o céu, tresnoitadas. Os Alentejanos
cantam para os horizontes, sonhando. Dessas duas castas
melodias nasce a força de um povo!” |
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MÚSICA: SAIAS DE CAMPO MAIOR Ficheiro midi de Fernando de Brito Vintém in MIDI PORTUGAL: |